Início » Aprender Sobre Turbinas a Vapor » Conteúdo » Grupos brasileiros disputam usina da Abengoa em SP
Proposta inclui dividir a usina em duas empresas, uma agrícola e outra com os ativos de cogeração. A operação, porém, não é condicionante para a aceitação da oferta
Três grupos sucroalcooleiros brasileiros apresentaram lances no leilão da Usina São Luiz, da espanhola Abengoa Bioenergia Brasil, que está em recuperação judicial.
Localizada em Pirassununga (SP), a unidade recebeu proposta de Mário e Adriano Ometto, seus ex-donos que venderam o negócio aos espanhóis em 2007.
Recebeu proposta também da Vale do Verdão, do empresário e fazendeiro goiano José Ribeiro de Mendonça e do Grupo Ferrari, que já tem usina no município.
Todos propuseram o valor mínimo do leilão, de R$ 385 milhões, mas cada um estabeleceu condições diferentes de pagamento pela usina, que será recebida como unidade produtiva isolada (UPI), sem dívidas.

A usina, com capacidade para moer pouco mais de 3 milhões de toneladas, vem operando com ociosidade de 35%. Mas sua unidade de cogeração é considerada moderna e ela é próxima do Terminal de Paulína e próxima do eixo Rio-São Paulo, o que a torna atraente em relação a outras dezenas de usinas à venda no país.
As propostas foram abertas em 31 de agosto e devem ser avaliadas pelos credores, que receberão o valor. A decisão deveria ter ocorrido no mesmo dia, mas foi adiada para o dia 16.
Entre alguns credores a avaliação é que a melhor proposta é a da Vale do Verdão. A companhia, que já processa 7 milhões de toneladas de cana em três usinas em Goiás, propôs pagar R$ 20 milhões em 30 dias após o recebimento da UPI; R$ 20 milhões após 60 dias; R$ 25 milhões após 90 dias; e mais 16 parcelas de R$ 20 milhões a partir de julho de 2021, corrigidas por INPC.
A usina, com capacidade para moer pouco mais de 3 milhões de toneladas, vem operando com ociosidade de 35%.
O valor a ser pago supera o faturamento da Vale do Verdão na safra passada (2019/20), de R$ 340 milhões, assim como o caixa do fim da temporada, de R$ 80 milhões. Mas a compra deverá receber apoio da controladora, a Fronteira SA.
Seu dono, José Ribeiro de Mendonça, tem um longo histórico no agronegócio goiano. Afora as usinas, também possui fazendas de grãos e gado, além um haras e um museu em Orlândia com centenas de máquinas agrícolas, carros antigos e carruagens, que começaram a ser colecionados na década de 80.
Na disputa pela unidade, ele concorre com os Mario e Adriano Ometto, os antigos donos. Até hoje eles têm parte do terreno sobre o qual está erguida a usina, além de fazendas com 10 mil hectares nos arredores que fornecem cana à unidade, após vender o negócio aos espanhóis, ficaram com as lavouras.
A proposta dos ex-usineiros é pagar R$ 20 milhões em 90 dias após o recebimento da UPI, R$ 139 milhões em até 71 meses e, a partir do 72° mês, pagar R$ 33,502 milhões. O restante, R$ 192,498 milhões, seria pago em nove parcelas anuais a partir do 84° mês. As parcelas mensais serão corrigidas pelo INPC, e a anual, pela taxa referencial – hoje em 0%.
Os Ometto usam a experiência no comando da usina para convencer credores a aprovar sua oferta, e o fato de serem fornecedores da usina (também são credores).
O páreo é ainda disputado pelos Ferrari, que têm uma usina a menos de 8 quilômetros em uma linha reta da planta da Abengoa.
O grupo encerrou a safra passada com receita de R$ 537 milhões e dívida líquida com o mercado financeiro de R$ 381 milhões.
Sua proposta é dividir a usina em duas empresas, uma agrícola e outra com os ativos de cogeração. A operação, porém, não é condicionante para a aceitação da oferta.
Os Ferrari pagariam R$ 20 milhões após a transferência da companhia agrícola, que emite novas dívidas aos credores não sujeitos aderentes, aos credores essenciais e aos quirografários.
As dívidas dos não aderentes e dos quirografários seriam pagas em parcelas corrigidas pelo CDI para os créditos em reais ou pela Libor para os créditos em moe da estrangeira. Para os essenciais, a correção seria pelo INPC.
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