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Vibração Subsíncrona em Turbinas a Vapor

Pontos críticos de inspeção: o travamento por corrosão nestes pinos guias impede a expansão radial uniforme, causando distorção da carcaça.

Diagnóstico Avançado: Vibração Subsíncrona Induzida por Roçamento “Rub” e Distorção Térmica em Turbinas a Vapor

Sumário

Vibração Subsíncrona Induzida por Roçamento e Distorção Térmica em Turbinas a Vapor

A análise de vibração em turbomáquinas de grande porte exige uma abordagem multidisciplinar que transcende a simples leitura de espectros. 

 

Fatores operacionais, térmicos e geométricos interagem de maneiras complexas, criando sintomas que podem mascarar a verdadeira causa raiz.

 

Neste artigo, exploramos um estudo de caso complexo, detalhando o diagnóstico de uma vibração subsíncrona intermitente em uma turbina a vapor de condensação de 60 MW

 

O caso ilustra como restrições na dilatação térmica da carcaça podem induzir roçamentos severos e instabilidades dinâmicas.

Contexto Operacional e Configuração do Equipamento

O ativo em análise é uma turbina a vapor de 22 estágios, com capacidade de 60 MW, operando em uma unidade de separação de ar. 

 

O arranjo do trem de máquinas é central, com a turbina acionando simultaneamente:

 
  • Um compressor principal de ar (MAC) via acoplamento de engrenagens.

  • Um booster e um gerador síncrono.

 

Sistema de Suportação e Guias

 

A integridade do alinhamento interno da turbina depende de um sistema de suportação projetado para permitir a dilatação térmica controlada, conforme preconizado por normas como a API 612:

 

  • Admissão: Fixação por guia chavetada axial e pino guia central para expansão radial.

  • Descarga: Suportes laterais (“patas”) que permitem a expansão radial mantendo a centralização, além de guias no corpo do mancal posterior.

"Em turbinas de grande porte, o travamento de qualquer guia de expansão (conhecido como stick-slip ou travamento por atrito) resulta em forças de reação que distorcem a carcaça, alterando a posição relativa entre estator e rotor."

Gráfico de tendência de vibração (Trend Plot) mostrando pico súbito de amplitude e redução imediata após resfriamento com água
Registro do sistema de monitoramento mostrando um pico de vibração (>100 µm) mitigado pela aplicação de "chuva artificial" na carcaça

Confira o Vídeo sobre Vibração Subsíncrona e Falhas Térmicas em Turbinas a Vapor

O Evento Inicial e Sintomatologia

O histórico da máquina revela um evento crítico seis anos após o comissionamento: uma parada de emergência (provável blackout) onde o sistema de Giro Lento (Turning Gear) não foi acionado.

 

A tentativa subsequente de partida forçada com o rotor empenado (devido à estratificação térmica) resultou em roçamento interno e degradação imediata da eficiência por aumento das folgas de selagem. Entretanto, o problema crônico surgiu meses depois:

 

  • Sintoma: Vibração intermitente variando entre 200% e 300% acima do normal.

  • Frequência: Componente subsíncrona (abaixo de 1x a rotação), típica de instabilidades fluidodinâmicas ou roçamento.

  • Condição de Contorno: Ocorrência predominante em tardes quentes (>33°C). A aplicação de água (“chuva artificial”) sobre a carcaça de descarga mitigava a vibração instantaneamente.

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A Falácia da Instabilidade de Mancal

A presença de vibração subsíncrona frequentemente aponta para instabilidades de filme de óleo (oil whirl/whip). 

 

No entanto, testes de campo e análises rotodinâmicas refutaram essa hipótese primária:

 

  1. Análise do Fabricante (OEM): O sistema rotor-mancal provou-se estável em simulações de projeto.

  2. Óleo de Levantamento (Jacking Oil): A pressurização dos mancais durante a operação trouxe benefícios marginais, mas não eliminou a sensibilidade à temperatura ambiente.

  3. Comportamento Térmico: A correlação direta entre a temperatura externa e a vibração indicava que a expansão térmica diferencial da carcaça era o “gatilho” para o fenômeno.

"O travamento de suportes externos pode forçar a carcaça contra o rotor, criando condições de roçamento que reproduzem instabilidades de mancal."

Diagrama detalhando o sistema de pino e chavetas transversais projetados para permitir a expansão térmica simétrica da carcaça da turbina a vapor
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Diagnóstico Definitivo: Roçamento Induzido por Restrição Geométrica da Turbina a Vapor

Após tentativas infrutíferas de troca de rotor e ajustes de folgas, um overhaul completo em 2012, com escopo estendido para verificação de suportes, revelou a causa raiz.

 

Evidências Encontradas

 
  • Travamento Mecânico: O pino guia de centralização estava travado por corrosão e atrito. Ao ser removido, a carcaça “saltou”, liberando energia elástica armazenada.

  • Roçamento Severo: A bucha de selagem da descarga (metade inferior) foi encontrada drasticamente desgastada, indicando contato intenso com o rotor.

  • Deslocamento de Linha de Centro: Monitoramento via sensores de proximidade mostrou que, durante os eventos térmicos, a linha de centro do eixo descia cerca de 100 micra (0,10 mm) em relação ao mancal, uma magnitude inaceitável para mancais hidrodinâmicos.

 

O Mecanismo da Falha

 

A combinação de uma instalação ao tempo (sem proteção adequada contra intempéries) e falta de lubrificação nas guias deslizantes causou o travamento da carcaça.

 

Quando a temperatura ambiente subia, a carcaça tentava expandir mas encontrava restrição. Isso gerava uma distorção física (empenamento da carcaça) que desalinhava os selos estacionários contra o rotor em rotação. 

 

O contato resultante gerava o roçamento (rubbing), que por sua vez excitava a vibração subsíncrona observada.

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Ações Corretivas e Lições Aprendidas

Para solucionar o problema, foi necessário restaurar a liberdade de movimento da máquina e corrigir os danos secundários:

 

  1. Restauração das Guias: Limpeza, polimento e lubrificação de todas as chavetas e superfícies de deslizamento dos suportes.

  2. Usinagem Corretiva: Readequação das folgas da bucha de selagem e usinagem de excêntrico para compensar deformações residuais.

  3. Gestão Térmica: Substituição completa do isolamento térmico e instalação de uma cobertura (telhado) sobre o trem de máquinas para evitar incidência direta de sol e chuva.

Visualização do alojamento do mancal dianteiro (Front Standard), onde se localizam os apoios deslizantes críticos para a expansão axial

Perguntas Frequentes sobre Vibração Subsíncrona e Falhas Térmicas

1. O que pode causar vibração subsíncrona em turbinas a vapor além da instabilidade de óleo? Embora a instabilidade de filme de óleo (oil whirl/whip) seja uma suspeita comum, o roçamento (rubbing) entre o rotor e as partes estacionárias é uma causa frequente de vibração subsíncrona. No caso estudado, o roçamento na selagem da descarga foi identificado como a causa raiz, gerando frequências instáveis que mimetizavam problemas de mancal.

 

2. Por que a temperatura ambiente externa afetava a vibração da turbina neste caso? A turbina estava instalada ao tempo e sujeita a variações climáticas. O calor excessivo (acima de 33°C) causava a dilatação da carcaça. Como os suportes e guias de dilatação estavam travados por corrosão e atrito, a carcaça não expandia uniformemente, deformando-se e forçando o contato contra o rotor. A “chuva artificial” (sprinklers) resfriava a carcaça, aliviando essa distorção e eliminando a vibração temporariamente.

 

3. Como diferenciar um problema de instabilidade hidrodinâmica de um roçamento térmico? A diferenciação exige análise cruzada de dados. A instabilidade de óleo geralmente está ligada à velocidade de rotação e carga, enquanto o problema térmico neste caso correlacionava-se diretamente com a temperatura ambiente, independentemente da carga ou rotação. Além disso, análises rotodinâmicas e testes com óleo de levantamento (jacking oil) comprovaram que o sistema de mancais era estável, isolando a causa como um fator geométrico/térmico externo.

 

4. O que é o travamento de guias de dilatação e quais os riscos? O travamento ocorre quando pinos guias, chavetas ou superfícies deslizantes dos pedestais da turbina ficam presos devido à corrosão ou falta de lubrificação. Isso impede a expansão térmica natural da máquina. O risco principal é a distorção da carcaça, que altera a linha de centro do eixo (neste caso, houve um deslocamento de quase 100 micra), levando a roçamentos severos, perda de eficiência e danos às selagens.

 

5. Quais foram as soluções definitivas aplicadas para resolver a vibração subsíncrona neste equipamento? A solução envolveu restaurar a liberdade de movimento da carcaça e reduzir a sensibilidade térmica. As ações incluíram: limpeza e lubrificação de todas as guias e chavetas , reajuste dos calços e distribuição de peso , usinagem das buchas de selagem para corrigir folgas e a instalação de um telhado e novo isolamento térmico para proteger o equipamento das intempéries.

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Conclusão

Este caso reforça que a vibração subsíncrona não é exclusiva de instabilidades de óleo ou aerodinâmicas. 

 

Em turbinas a vapor, especialmente as instaladas ao tempo, a interação térmica carcaça-rotor deve ser investigada. 

 

O travamento de suportes externos pode forçar a carcaça contra o rotor, criando condições de roçamento que mimetizam instabilidades de mancal.

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Nota: As opiniões e informações contidas nesta publicação, não refletem necessariamente a opinião da TURBIVAP.

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